Joci Aparecida

 

Maurice Tardif

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MAURICE TARDIF

Tardif traz para a discussão o fato do trabalho do educador ser totalmente diferenciado das atividades de qualquer outro profissional.

Lidamos com seres humanos, cada um com suas particularidades, suas realidades. Nos defrontamos diariamente com uma série de contradições, como perceber o indivíduo em grupos cada vez maiores em nossas salas de aula. Como proporcionar situações de aprendizagem que atinjam a totalidade de nossos alunos? Ignorar suas características e o tempo de aprendizagem da cada um? As teorias a respeito são muitas, mas é no dia-a-dia, com o acúmulo de nossas experiências que adaptamos a teoria à prática em sala de aula.

Em cada final de aula, questiono-me a respeito, teria eu conseguido atingir boa parte de meus alunos? O que fazer para motivá-los? Muitas são as receitas, mas aplicá-las não é tarefa fácil. Trabalhando em uma escola de periferia, sem os recursos mínimos para uma boa prática educativa, onde o principal objetivo é manter os alunos na escola e não a qualidade da educação, afirmo que é uma tarefa quase impossível.

Há, ainda, a displicência dos familiares de nossos alunos em relação a aprendizagem efetiva dos mesmos. O interesse dos mesmos não é saber se seus filhos estão aptos à aprovação para a série seguinte, mas se serão aprovados. Se solicitados que os estimulem a execução de tarefas escolares em casa, é comum ouvir que não têm poder em relação aos filhos. Durante a Feira do Livro de Porto Alegre, solicitei aos alunos que convidassem seus pais para visitarem o evento. Recebi, na ocasião, um bilhete de um pai onde dizia que o que não é de comer, vestir ou calçar é considerado SUPÉRFLUO!

Triste realidade a nossa!

Mas segundo a "professora" Esther Grossi, em entrevista realizada na TVCOM, os professores têm diversas desculpas para o fracasso escolar: problemas familiares, déficit de atenção, traumas, convulsões, descaso das famílias. Segundo esta "professora" isto é um absurdo. Para ela é dever do educador resolver as dificuldades do aluno em sala de aula e isto independe da quantidade de alunos presentes e está relacionado com a qualificação profissional do educador. Ã‰ preciso muita persistência, por parte do professor, para continuar acreditando que seu trabalho não é infrutífero, em um país onde a educação está longe de ser vista como prioridade.


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